A arruda é uma planta utilizada há séculos como medicinal, desde a época dos antigos gregos. A partir da Idade Média, o uso da arruda foi atribuído como abortivo e anticonvulsivante. Dependendo da região, a arruda pode ser conhecida por arruda-comum, arruda-do-jardim, arruda-dos-jardins, arruda-doméstica, arruda-dos-jardins, aruta, aruda, ruda, ruta ou erva-da-graça.

Por possuir em sua composição uma série de substâncias químicas, a arruda foi uma das 71 plantas, selecionadas pelo Ministério da saúde, a serem analisadas por interesse do SUS. Os principais ativos da arruda se encontram em seu óleo essencial, composto basicamente por cetonas como, por exemplo, o cineol, a nonanona, a decanona, a canfora, trans-anetol, carvacrol e metinonol, por alcalóides (arborinina, graveolinina,  alfa- fagarina) e outros compostos furanocumarínicos. As cetonas,  presentes no óleo essencial da arruda, possuem um potencial antimicrobial vasto, agindo contra fungos, vírus e bactérias, mesmo se usadas em doses baixas. O óleo da arruda, quando preparado e forma de gel, pode ser aplicado para combater fungos da pele (micoses), da unha e o bicho geográfico. Se for diluído em água, pode ser utilizado em ambientes contra fungos que causam alergias e/ou doenças respiratórias, além de acabar com os ácaros presentes em colchões, cobertas, lençóis e travesseiros.

arruda

O chá de arruda não é indicado para uso interno, mas pode ser feito uma infusão da arruda, posteriormente diluindo essa infusão em água e utilizando topicamente sobre a pele (a rutina, presente na arruda, é topicamente usada na medicina alternativa para fortalecer vasos capilares fracos). A arruda in natura e seu óleo essencial podem gerar foto-dermatites, especialmente por conter o bergapteno das furanocumarinas. Mesmo em doses baixas, a arruda não deve ser usada em manipulações caseiras, devido ao efeito antiespasmódico. Em estudos realizados, o efeito abortivo da arruda foi bastante documentado, sendo causado principalmente pela não implantação do feto ou por um estado generalizado de toxicidade sistêmica, resultando na morte do feto, não sendo indicado o uso da arruda internamente e externamente por gestantes. A arruda ou seu óleo essencial manipulado, devem ser utilizados internamente somente por prescrição médica e por curtos períodos de tempo, já que apresenta efeitos colaterais cumulativos. Os casos de intoxicação, gerados pelo consumo da arruda, podem gerar sintomas como cólicas gastrointestinais, diarreias, movimento fibrilante da língua, congestão pelviana, confusão mental, convulsões e morte.

Referências

Cláudio P. Filla | Laboratory Technician UTP-PR | Químico, escreve sobre o efeito positivo dos alimentos naturais através de suas propriedades e os perigos por trás dos alimentos industrializados. Mas gosta mesmo é de compartilhar alternativas para uma vida mais saudável. Curitibano, ama um pé na terra e outro no mar, mas também a rotina cultural da cidade grande.
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