A erva de Santa Maria ou Mastruz (como é popularmente conhecida) –  Chenopodium ambrosioides – é uma planta herbácea utilizada na medicina popular brasileira no tratamento de problemas digestivos, respiratórios e em casos de rouquidão ou mesmo câimbras. A planta é composta principalmente por ativos com propriedades analgésicas, anti-inflamatória, antimicrobiana, antipirética, antirreumática e fungicida, agindo principalmente no combate de verminoses. Dependendo da região, o mastruz pode ser conhecido por erva de bicho, mastruço, menstruço, ambrosina, mastruz, mentruz, erva-do-formigueiro, erva-vomiqueira, Maria, chá do México, lombrigueira ou erva-mata-pulga.


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O mastruz possui como principal característica seu forte odor, devido a ativos presentes em seu óleo essencial que, quando administrado em altas doses, pode ser tóxico. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a erva de Santa Maria é um dos fitoterápicos mais utilizados no mundo inteiro, inclusive como forma de controle tradicional no tratamento de parasitoses. Isto se deve ao fato da planta ser capaz de produzir diversos metabólitos secundários responsáveis por suas atividades farmacológicas, tais como compostos fenólicos, catequinas, esteroides, flavononas, taninos, triterpenóides e óleo essencial, sendo considerados os princípios ativos responsáveis por suas propriedades terapêuticas. O óleo essencial do mastruz é composto em sua maior parte pelo (Z)-ascaridol 60%, (E)-ascaridol 18% e carvacrol 3%. É importantíssimo comentar que no início do século XX, o ascaridol era a substância mais utilizada para combater parasitas intestinais em humanos e em animais, mas por ser altamente tóxico quando administrado em altas doses, seu uso não é mais comum, podendo razão pode causar, dentre outras coisas, irritação na pele e mucosas, cefalalgia, taquicardia, parada respiratória e até a morte. Além disso, o mastruz possui em menores quantidades os compostos α-terpineno, p-cimeno, piperitone, p-cimen-8-ol, acetato de (Z)-carvil, acetato de (E)piperitrol, álcool benzílico, ρ-cresol e ρ-mentha-1,3,8-trieno. Na medicina popular o chá de mastruz é amplamente utilizado no combate a problemas digestivos, reumáticos e verminoses. Se misturado com leite, o mastruz pode auxiliar no tratamento de afecções respiratórias e como fortificantes em casos de tuberculose.

Como preparar o chá de Mastruz?

O mastruz, se administrado doses baixas, pode ser utilizado internamente. Para preparar o chá de mastruz, basta levar ao fogo um litro de água, juntamente com 3 ramos de mastruz. Após a fervura da água a decocção deve ser abafada por 10 minutos. Se a temperatura do chá já estiver agradável, basta adoçar (se for o caso), coar e consumir em seguida.
Por último, é importante frisar que o mastruz possui propriedades abortivas, devendo ser evitado por gestantes. Além disso,  o mastruz é contra indicado para crianças com menos de dois anos de idade por sua toxicidade. Já em adultos, o mastruz só é tóxico se ingerido em doses elevadas.
Foto por: Forest and Kim Starr

Referências

– Ascaridol: http://qnint.sbq.org.br
– Erva de Santa Maria (Chenopodium ambrosioides L.): Aplicações clínicas e formas tóxicas – Láyla Silva Soares de Oliveira*, Felipp Silveira Ferreira e André Mauricio Barroso;
– Lorenzi H (1982). Plantas daninhas do Brasil – terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. Chenopodium ambrosioides L. 1.ed. São Paulo: Ed. Nova Odessa Ltda., 38.
– Jorge LIF, Ferro VO, Koschak MRW (1986). Diagnose comparativa das espécies Chenopodium ambrosioides L.(erva de Santa Maria) e Coronopus didymus L. (mastruço): Principais características morfo-histológicas e químicas. Revista Brasileira de Farmacognosia, 1: 143-153.
– Kissmann KG, Groth D (1991). Plantas Infestantes e Nocivas. Tomo II. 2. ed. São Paulo: Editora Basf, 612-615.
– Alvarez C, Rodrigues P, Carvajal E (2011). Efecto del extracto de paico (Chenopodium ambrosioides), en parasitos gastrointestinales de galos de pelea (Gallus domesticus). Revista Cultura Científica JDC, 9: 77-80.
– Grassi, LT (2011). Chenopodium ambrosioides L. – Erva de Santa Maria (amaranthaceae): estudo do potencial anti-inflamatório, antinociceptivo e cicatrizante. Tese de Mestrado em Ciências Farmacêuticas. Universidade do Vale do Itajaí. Itajaí, p147.
– ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2011). Formulário de fitoterápicos. Farmacopéia Brasileira. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br. Acesso em: 16 janeiro 2013.

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