A Aloe vera, chamada popularmente por babosa, desde a antiguidade é considerada uma planta poderosa. Antigos muçulmanos e judeus acreditavam que a babosa representava uma proteção para todos os males, utilizando as folhas de babosa penduradas na porta de entrada da casa. Na medicina natural, a babosa é uma das plantas que mais merece destaque, por ser facilmente encontrada na grande maioria de cosméticos, xampus e cremes para a pele, graças a sua capacidade de regenerar tecidos danificados.

Das folhas da babosa se extrair um suco, que quando concentrado e seco recebe a denominação de Aloé. Esse suco possui cor marrom escura, forte odor e sabor muito amargo, sendo composto principalmente por derivados antracênicos sendo as aloínas (barbaloína e isobarbaloína) os mais conhecidos. Mas a casca, da babosa é tóxica para o organismo, não devendo ser utilizada.  O suco da polpa das folhas da babosa é emoliente, ou seja, amacia a pele, sendo muito utilizado em loções, cremes, unguentos, xampus e resolutivo, quando usado sobre inflamações, queimaduras, eczemas, erisipelas e queda de cabelos. A polpa das folhas da babosa contém, ainda um gel composto por glicosídeos antraquinônicos, semelhantes aqueles da cáscara-sagrada e do sene, além da presença da aloína (purgativo), aloquilodina, aloetina, aloeferon (cicarizante), ácido pícrico, resinas, mucilagem e vitaminas E e C. Porém, estima-se que a Aloe vera possua mais de 200 substâncias químicas ativas.

babosa aloe vera

O efeito anti-inflamatório e cicatrizante da babosa, é resultado da ação de substâncias presentes na planta, como a acemanana (um polissacarídeo encontrado em grande quantidade no gel de Aloe vera), a aloína, a antraquinona, o ácido antranílico e a aloe-emodina, que estimulam a produção de colágeno tipo I, acelerando o processo de cicatrização e a produção do triptofano, um composto anti-inflamatório. A antraquinona, ainda é responsável pelo efeito antimicrobiano da planta. A junção de diversos ativos presentes na babosa, mais a presença do ácido ascórbico aumentam a síntese de colágeno, a vitamina E e o zinco presentes na planta tem ação antioxidante e os aminoácidos contribuem ainda mais na produção do colágeno.

O uso da polpa da folha de babosa possui resultados positivos quando utilizada contra alergias, artrite, prisão de ventre, diabetes, herpes genital, hemorroidas, gengivite, cólicas menstruais, infecções, caspas, queimaduras solares leves, irritação cutânea causada por lâminas de barbear, irritação cutânea causada por picadas de insetos, dores musculares locais, celulites, entre tantos outros. A babosa conta ainda, com a babosa aloepresença de 12 vitaminas, 15 enzimas, 18 aminoácidos, 20 minerais e 75 nutrientes, sendo considerada excelente por suas ações desintoxicante e antioxidante, capazes de combater os radicais livres que contribuem para o envelhecimento das células do nosso corpo. Mesmo com tantos pontos positivos, a Aloe vera (babosa) não está isenta de possíveis efeitos colaterais. Alguns dos efeitos colaterais do uso da Aloe vera são encontrados com mais freqüência, principalmente, no trato gastrointestinal, resultando cólicas e a diarreia. Antes de iniciar o uso do suco da babosa, é importante falar com o seu médico. Gestantes devem evitar o uso oral da Aloe vera devido à presença de antraquinonas,  já que seu efeito estimulante, pode provocar reflexos na musculatura uterina induzindo o aborto. O uso da casca das folhas de babosa também deve ser evitado!

Referências

– BALBACH, A. As Plantas Curaam – Babosa. São Paulo.
– GUERRA, M.F.L. et al. Uso empírico in natura de Aloe sp em portadores de conjuntivite. Revista de Enfermagem da UFPE, v.2, n.1, p. 36-46, 2008.
– MAIA-FILHO, A.L.M. et al. Efeito do gel da babosa (Aloe barbadensis Mill.) associado ao ultrassom em processo inflamatório agudo. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.13, n.2, p.146-50, 2011.
– TESKE, M.; TRENTINI, A.M.M. Herbarium – Compêndio de Fitoterapia. 3.ed. Curitiba: Herbarium Laboratório Botânico, 1997. 317p.
– RAMOS, Antoniela de Paula. Ação da Babosa no reparo tecidual e cicatrização. Disponível em: http://inseer.ibict.br/bjh/index.php/bjh/article/viewFile/73/84
– VIANA, P.; ALOE VERA, A PLANTA MILAGROSA.Disponível em; www.nossosaopaulo.com.br/AloeVeraForever/FLP_AloePlantaMilagrosa.htm
-MARTINS, E. R. et al. Plantas Medicinais. – Viçosa: UFV, 2000. 220p.

Cláudio P. Filla | Laboratory Technician UTP-PR | Químico, escreve sobre o efeito positivo dos alimentos naturais através de suas propriedades e os perigos por trás dos alimentos industrializados. Mas gosta mesmo é de compartilhar alternativas para uma vida mais saudável. Curitibano, ama um pé na terra e outro no mar, mas também a rotina cultural da cidade grande.
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